segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Queda dos Gigantes

A Queda dos Gigantes é o primeiro livro de uma trilogia (O Século) do aclamado escritor britânico Ken Follett.
Ken Follett é um dos autores mais lidos da actualidade. Da sua pena tivemos já oportunidade de ler Os Pilares da Terra e Nome de Código Leoparda, dois livros que nos propiciaram imensa satisfação. Ken Follett que seria, certamente, um brilhante argumentista para filmes de Hollywood, é capaz de cativar qualquer leitor. A sua forma de escrita, que mistura o suspense com capítulos relativamente curtos em forma de novela, a multiplicidade de personagens fascinantes, as temáticas abordadas são factores fundamentais para criar um best-seller.
A Queda dos Gigantes segue a mesma linha dos outros livros do autor que já tivemos oportunidade de ler. Sendo o primeiro volume de três sobre o século XX, insere-se na categoria dos romances históricos. Este, em particular, decorre entre 1911 e 1924 e, ao longo de mais de 900 páginas vai acompanhando a vida de cinco famílias e a sua participação nos principias momentos políticos/históricos do primeiro quartel do século XX.
Parece-nos indiscutível que Ken Follett sabe como escrever um livro cativante. Cenas e personagens relativamente bem construídas e a dose certa de suspense. No entanto, a trilogia O Século é um projecto monumental sobre um período que muitos leitores conhecem razoavelmente. Isso implicaria maior atenção por parte do autor na construção da narrativa porque, ao contrário do que acontece noutras épocas (nomeadamente na Idade Média inglesa) o leitor encontra-se muito mais familiarizado com as características de vida e com os factos possíveis.
Importa referir que Ken Follett, em muitos momentos, parece tratar os seus leitores como se fossem idiotas fazendo referências infantis relativamente a momentos e personagens históricas como se fossem completamente desconhecidas por parte dos leitores. Por outro lado, e embora Ken Follett refira que não incluiu nenhuma cena que não fosse possível de ter na prática acontecido, e se isoladamente tal pode ser verdadeiro, é pouco verosímil que todas aquelas cenas se passassem com todas aquelas personagens: Primeira Guerra Mundial, Revolução de 1905, Revolução de Outubro, voto das mulheres, lei seca nos Estados Unidos da América, Churchill, Lenine, Wilson, Trotsky. É demasiado e pouco provável.
O livro não é mau, antes pelo contrário. Apesar da dimensão exagerada dá, apesar da falta de realismo, vontade que não acabe. Temos ainda o segundo volume para ler e o terceiro há-de ser lançado em breve. Boa leitura mas, à semelhança dos livros de Ken Follett, não será nenhuma obra-prima!

3 comentários:

Patrícia disse...

Olá Filipe,
Eu gostei imenso do "A queda de gigantes". Compreendo perfeitamente o inverosímil que é acontecer tudo às mesmas pessoas mas esse é um defeito dos romances históricos que não dá para evitar (ou é muito, muito difícil) caso contrário ter-se-ia uma série de histórias soltas e e não um livro.
Ainda não li o segundo volume mas lá hei-de chegar :)

Filipe de Arede Nunes disse...

Patrícia,

Não é mau! Quando acabei até achei que talvez fosse bom! Agora que já passaram uns meses sei que é apenas razoável, uma leitura simples, que não exige demasiada atenção da parte do leitor mas que, ao mesmo tempo, também nada acrescenta, não faz pensar e reflectir, e, sobretudo, não será nunca um primor da arte da escrita.

Note-se, no entanto, que livros destes fazem falta. Entre os livros verdadeiramente fabulosos devem colocar-se obras de fácil leitura para sermos capazes de digerir os que são verdadeiramente bons.

Patrícia disse...

:) Concordo. :)