segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Ilha de Caribou

A Ilha de Caribou é um romance do escritor norte-americano David Vann.
De quando em vez surgem romances que recebem da crítica as melhores opiniões, sendo qualificados de brilhantes, extraordinários, revelações literárias. A crítica influencia muito as opções de quem lê tendo a capacidade de lançar um determinado autor para a ribalta e colocando sobre si os focos mediáticos.
Foi com alguma expectativa que começámos a leitura deste A Ilha de Caribou de David Vann, já vencedor do Prémio Médicis (2010) com o romance A Ilha de Sukkwan, livro que não tivemos oportunidade de ler.
Ao contrário do que a crítica parece sugerir não consideramos este A Ilha de Caribou um acontecimento literário ou um romance excepcional. A narrativa, que decorre no Alasca, pareceu-nos o guião de um mau filme de fim-de-semana. Vann, que pretende narrar a história de uma família envolta de problemas de cariz emocional (pai, mãe, filho e filha, cada um com os seus problemas individuais e alguns colectivos), parece cair num lugar-comum. Indivíduos, com medo de se perderem numa sociedade em constante reconstrução, traições, expectativas por cumprir. A própria linguagem, em determinados momentos, parece saída de um romance de cordel. Fraco! Se o autor pretende incluir tantas variáveis (qual a necessidade de incluir as personagens Monique e Carl?) porque não desenvolver suficientemente o perfil psicológico das personagens. A multiplicidade de histórias não ajuda a construir uma narrativa suficientemente cativante.
No entanto, e no nosso entender, os problemas deste romance de David Vann não se cingem à construção narrativa. Sendo suficientemente claro nas mensagens, Vann não é nenhum arauto da palavra e não se vislumbra qualquer frase particularmente interessante. Se o autor pretendia escrever um romance de cariz psicológico teria de ser mais profundo e interessante.
Note-se que A Ilha de Caribou não é muito mau. Lê-se com facilidade! Mas falta brilho, superioridade, relevância. Para se escrever uma obra relevante não basta ser um razoável contador de histórias. Com tantos bons escritores e tantos fantásticos livros para quê perder tempo com obras apenas e só suficientes?

Sem comentários: