sábado, 7 de julho de 2012

Jesusalém

Jesusalém, é um dos mais aclamados romances do escritor moçambicano Mia Couto.
Lançado em Portugal em 2009, Jesusalém é um livro cativante. Mia Couto, um dos grandes nomes das letras em língua portuguesa, oferece ao leitor uma obra repleta de referências místicas numa escrita inebriante, cantada e verdadeiramente africana, uma demonstração de que os autores africanos de língua portuguesa conseguem conferir um ritmo absolutamente diferente à narrativa sem que tal afecte a essência da língua.
Jerusalém, cidade israelita (ou talvez do mundo), ponto de confluência das religiões monoteístas, local de redenção, redescoberta, nascimento, é a metáfora de Mia Couto neste magnífico romance. Um pai, dois filhos, um tio e um ex-militar são as personagens principais num livro onde se escondem muitos e diversos significados entre as linhas. Neste romance Jesusalém é ponto de chegada e refúgio mas é, sobretudo, local de renascimento.
Ao contrário do que possam dizer nem os escritores, nem os livros não são todos iguais. Narrando uma história, pintando locais ou personagens quase todos são capazes. Complicado é descrever o que é difícil de sentir e de explicar e nisso Mia Couto é mestre.
Jesusalém segue a mesma linha de outras obras do escritor moçambicano que tivemos oportunidade de ler. Livro intenso, espelha uma espiritual realidade africana que ainda não conseguimos descortinar por completa. Seja como for, Jesusalém é um grande livro. Muito recomendado!

4 comentários:

Iceman disse...

Olá Filipe!
Há uns anos li um livro de Mia Couto, que agora não me ocorre o título, e não gostei do estilo.
Na última feira do livro, assisti, por acaso, ao lançamento do seu novo livro e vi a posterior entrevista do autor e, confesso, que fiquei interessado. Mas enfim, apenas isso.

Filipe de Arede Nunes disse...

Iceman,

Curiosamente, também por mero acaso, estive no lançamento do último livro de Mia Couto na última Feira do Livro de Lisboa.

Seja como for, acho que Mia Couto é um escritor muito interessante. O estilo é diferente, cheira a África, é cantado e por isso tem um ritmo diferente. São gostos.

Um abraço,
Filipe de Arede Nunes

tulisses disse...

um grande livro, mas que se chama «Jesusalém» e não «Jerusalém»... um erro frequente...

Filipe de Arede Nunes disse...

Tulisses,

Tem razão! Incrível como não dei conta ao longo de cerca de 300 páginas! Vou corrigir.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes