quinta-feira, 31 de maio de 2012

Malas de Cartão

Malas de Cartão é uma obra da jornalista Patrícia Gameiro de Brito que se encontra dentro da habitualmente designada «literatura de viagens».
Ao longo dos últimos anos, e desde que descobrimos Bill Bryson, apaixonámo-nos pelos livros de viagens. Entre os autores nacionais, particular destaque para Tiago Salazar e, sobretudo, para Gonçalo Cadilhe, o expoente máximo da arte de bem descrever o amplíssimo significado de uma viagem.
Malas de Cartão é o resultado de uma viagem de 456 dias entre 2008 e 2009 onde Patrícia Gameiro de Brito teve a oportunidade de visitar cerca de 40 países sendo que foi norteada pela ideia de visitar os países onde se pode encontrar vestígios da cultura portuguesa, seja através do período áureo da epopeia dos descobrimentos ou através da diáspora dos emigrantes portugueses.
A «literatura de viagens» está repleta de nomes sonantes não só no estrangeiro (onde Marco Polo ou Bruce Chatwin e Luis Sepúlveda), como também no nosso país (Fernão Mendes Pinto ou os mais recentes Tiago Salazar e Gonçalo Cadilhe) pelo que não podemos deixar de ter em consideração os trabalhos já existentes quando nos debruçamos sobre um novo livro sobre esta temática.
Dito isto, a verdade é que Malas de Cartão nos deixou um pouco desapontados. O livro, que surgiu de uma parceria da jornalista com o jornal Correio da Manhã, poderia ter sido escrito de uma forma significativamente diferente daquilo que (presumimos) terão sido as crónicas publicadas no jornal. Os capítulos (alguns países têm direito a mais que um) são demasiado curtos e não se consegue compreender bem qual foi o objectivo da autora: se fazer uma narração da viagem, se, em alternativa, pintar os seus sentimentos pessoais. Não é que as duas coisas sejam incompatíveis (e.g. Gonçalo Cadilhe) mas não cremos que tenha sido atingido com a perfeição que esperávamos.
Note-se que, para os amantes deste género literário, o livro de Patrícia Gameiro de Brito será, ainda assim, uma boa obra e poderá proporcionar óptimas sensações. Entendemos, no entanto, que ficou um pouco aquém do que (pensamos) a autora tem capacidade de fazer até porque o seu estilo simples e emotivo lhe permite ter uma escrita muito agradável.
Malas de Cartão não é o melhor livro de viagens do mercado. No entanto, nas suas páginas podemos encontrar os elementos necessários que nos permitem sonhar. E afinal, com os direitos de autor, pode ser que Patrícia Gameiro de Brito possa continuar a investir no seu sonho. Quem sabe se, fora dos limites de um jornal não nos pode vir a oferecer outras (melhores) leituras!

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